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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A.P.B.E.E. (Associação para a Promoção do Bem-Estar dos Envelopes)

Deveriam ser todos como eu e estar constantemente preocupados com o bem-estar de tudo e todos. Principalmente daqueles que sofrem em silêncio e que permanecem inabaláveis apesar das adversidades. Sempre que choco contra um guarda-fatos peço lhe desculpa. Sim! Sou uma pessoa educada. “Peço imensa desculpa, ir contra si, não foi de todo a minha intenção! Está tudo bem?” E se pensavam que ele ia rebelar-se ou insultar-me, estão bem enganados. Como era expectável, age com uma tremenda grandeza, mas como é um guarda-fatos tem de ser grande para, como o nome indica, guardar fatos.

Sair em defesa do mobiliário é fácil, a sua resistência às adversidades é maior, a não ser que sejam fogo ou caruncho. Mas defender envelopes indefesos não é para todos. Indefesos é como quem diz. Uma vez cortei-me num envelope e tive de ir para o hospital. Eu não suporto ver sangue desmaio logo. O meu internamento surgiu naquele trágico dia… Acho que era uma segunda, ou será que era uma terça? Ou quinta? Era um dia de semana, e ao abrir uma carta, cortei-me.

Não foi um corte profundo e nem sangrei, mas desfaleci só de imaginar que poderia estar a sangrar de forma copiosa. Foi um desfalecimento rápido, recuperei os sentidos ½ segundo depois. O problema é que escorreguei nas cartas que caíram aquando da minha perda de sentidos. Resultado: Vi que uma delas era uma convocatória para o hospital e fui.

Confesso que fui um pouco bruto e abri o envelope sem dó, nem piedade. Aí pensei: “Foste um pouco bruto e abriste o envelope sem dó, nem piedade”. E não pode ser, o pobre do envelope tem sentimentos. Não posso rasgá-lo todo assim, sem consentimento. É quase uma violação. Agora sempre que recebo uma carta, levo-a ao cinema e por vezes a jantar. Depois de uma noite bem passada, pergunto-lhe com modos: “Posso abrir-te toda?” Se ela não responder, está tudo bem, pois quem cala consente.

Foi por isso que criei a A.P.B.E.E. (Associação para a Promoção do Bem-Estar dos Envelopes), e enviei milhares de cartas a convidá-los a juntarem-se à causa. Só tenho um pedido. Antes de abrir o envelope, e se não der jeito pagar-lhe uma refeição, dêem-lhe pelo menos uma flor.

O Cronista da Parvoíce ©

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

P.E.P.S.I. (Pessoas que Enfrentam Porrada e não Sabem Igualá-la)

Nunca gostei de violência. Sempre achei mais seguro evitar conflitos físicos. Principalmente se sou o alvo desses conflitos. Quando aparecem problemas desse género, tenho por hábito desaparecer. Eu não tenho receio em admiti-lo: sou conservador e gosto do meu Feng Shui facial assim como está. Creio que uma perda de dentes, a coloração súbita de um dos meus olhos, ou mesmo um aumento nasal iriam prejudicá-lo.

Eu sou sincero, eu evito mesmo qualquer tipo de briga. Se é para lutar, então tem de ser para ganhar e com os meus handicaps naturais é muito difícil. Sou baixinho e uso óculos. Existe aquela velha máxima “luta com alguém do mesmo tamanho”, mas aí, teria de procurar adversários no 1º ciclo. Como disse há pouco, o uso de óculos reduz substancialmente a minha capacidade combativa, mesmo que os tirasse para lutar, porque “não se deve bater em alguém de óculos”, o resultado do combate seria bastante óbvio: baixo e sem ver um boi, não me parece que eu teria grandes hipóteses.

E se a minha namorada for importunada por alguém? Não vou defendê-la? Claro que vou! Só que nestes casos só existe um resultado possível: a vitória. Porque se levar no focinho, é provável que fique sem namorada e acabe com uma estadia no hospital. Com todas as minhas condicionantes, o sucesso não me parece alcançável. Para evitar uma rotura emocional e também do sobrolho, decidi que era melhor não namorar. Mais vale prevenir do que remediar.

Eu sempre fui mais C.O.C.A.C.O.L.A., alguém com Compreensão Óbvia da Capacidade Adversária Caracterizada pela Obtenção de Lesões Agravadas, mas nisso da porrada, sou mais P.E.P.S.I., enfim, uma Pessoa que Enfrenta Porrada e não Sabe Igualá-la, alguém cujo desfecho é irremediavelmente levar no focinho. E é por isso que sempre que posso associo-me aos P.E.P.S.I.’s e tento sempre dissuadi-los quando estes pseudo Davides querem derrubar verdadeiros Golias.

Tenho um amigo que é um autêntico P.E.P.S.I. e que mesmo assim gosta de meter-se com pessoas que não são do mesmo tamanho. Enquanto eu escolho pessoas mais pequenas, ele tem a tendência natural de confrontar adversário
s muito maiores do que ele. Da última vez que isso aconteceu, levou um banano e caiu para o lado. Adormeceu. Literalmente. E eu como amigo que sou, fui acordá-lo. Indignado, ele perguntou-me: “Porque é que não me foste ajudar?” Ao que respondi: “Tens uma lata! Ia lutar, levava também um banano e adormecia! E depois? Quem é que te acordava? Está aqui uma pessoa preocupada com o teu bem-estar, estás sempre a dizer que dormes demais e que isso não te faz bem, e é isto! Estou revoltado! Só não te bato porque és maior de que eu e tenho óculos”

A verdade é que sou mais C.O.C.A.C.O.L.A. Sei quando me devo retirar! Ser P.E.P.S.I. é demasiado arriscado.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

F.A. (Falaciosos Anónimos)

Eu sou como qualquer pessoa e tenho defeitos. Eu sei que é difícil de acreditar, mas não sou perfeito como todos pensam. Qual é esse defeito? Sou muito criativo, invento muito. Há quem diga que eu sou um mentiroso compulsivo. É uma forma de ver as coisas e talvez haja uma pitada de compulsividade na minha criatividade. Mas… Mas daí ser um mentiroso compulsivo.


É verdade que sempre inventei histórias mirabolantes e com um “je ne sais quoi” de parvoíce, mas isso faz de mim um mentiroso? Se calhar sou mesmo! Devo assumir a minha intrujice natural e caminhar para a verdade? É isso! Está decidido! Vou frequentar aquela associação dos Falaciosos Anónimos e resolver o meu problema.

O nome é Marco e tenho um problema. É mais forte do que eu e não consigo evitá-lo. Minto por tudo e por nada! É inato! Não é bem inato, não comecei a mentir logo à nascença. Primeiro, porque não tinha razões para isso, mas também porque não sabia falar e logo as minhas mentiras seriam inaudíveis. Não me iria dar a esse trabalho, inventar uma história para ninguém ouvir, não parece algo muito proveitoso. E a mentira tem forçosamente de ser proveitosa. Quando minto é sempre na procura de um bem maior: a minha defesa.


A falácia é a forma árdil que uso para minimizar qualquer problema que posso vir a enfrentar. Como a ira divina. Eu sei que não é suposto pecarmos, mas os pecados acontecem. “shit happens”. É inevitável! A nossa sorte é que podemos evitar a fúria dos céus e manter o nosso livre-trânsito para o paraíso com uma simples confissão e eu sou mestre em limpar o meu cadastro celestial. Mesmo que tenha cometido imensos pecados, digo apenas que minto e assim a mentira durante a confissão cobre a omissão doutras asneiras. Sou mesmo esperto!

As mentiras como justificação de atrasos são muito recorrentes. Eu uso-as frequentemente. Pronto não vou mentir (para variar) uso esse tipo de desculpas diariamente. Há quem consiga dizer a verdade e justificar-se de forma honesta. Eu não tenho essa capacidade. Mentir é muito mais fácil.

Da última vez, hoje de manhã, o atraso aconteceu porque estava eu em plena autoestrada quando percebo que está um animal a cavalgar no meio da via e quando ele passa por mim a toda a velocidade, constato que é um camelo. Pouco depois dessa passagem repentina vejo uma criança a correr no meio da via, como se perseguisse o animal. Como essa perseguição pareceu-me perigosa agarrei a criança, que afinal era um anão. Ainda bem porque tive para o meter no carro e poderia ter sido acusado de rapto de menor ou pior até. O anão, na realidade dono do camelo, que por sua vez é um dromedário visto que tinha uma bossa, estava a tentar recuperar o seu animal.

Eu ajudei a recuperá-lo e foi por isso que me atrasei 5 minutos. Eu achei a minha justificação foi muito credível, não sei como descobriram que era falsa. Já percebi a falha. Eu nunca passo pela autoestrada para vir trabalhar.

Talvez tenha mesmo de frequentar as reuniões dos F.A., o que acham?

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

P.I.P.P.E.S.J. (Programa Internacional para Proteção dos Profissionais Estáticos de Segurança de Jardins)

Muitos de vós devem achar que tenho algum distúrbio mental, ou que sou simplesmente parvo, por associar-me a causas estranhas. Assumo que a minha insanidade mental latente se manifesta frequentemente, mas também é verdade que sou alguém preocupado com Mundo. Não é que esteja mesmo preocupado com o Mundo, mas acredito que praticando boas acções posso voltar a lista dos meninos bem-comportados do Pai Natal.

Há anos que não recebo os presentes que peço e só pode ser por mau comportamento. Estou farto de receber chocolates, meias e cuecas. Permitem-me rectificar. Estou farto de receber chocolates, meias e boxers. Para mudar o rumo dos acontecimentos e finalmente receber o que pedi, decidi tomar medidas drásticas e fazer o bem. Comecei por fazer o que todos fazem: ajudar velhinhas nas passadeiras, tirar gatos presos nas árvores. Mas depressa percebi que não estava a resultar e decidi fazer algo diferente.

Depois de, e pela enésima vez, ter levado com a mala duma velhinha que supostamente não queria atravessar a estrada e ter caído da árvore quando o raio do gato me arranhou, decidi criar o Programa Internacional para Protecção dos Profissionais Estáticos de Segurança de Jardins com um acrónimo que mais parece que temos um cabelo na língua. Experimenta dizer P.I.P.P.E.S.J. e vê-la se não tenho razão.

Não é bem um programa internacional, mas achei que internacionalizar o nome desta associação dava um ar mais…. Mais…. Pronto, mais coiso. Com isto tudo, ainda não expliquei, o que nos fazemos, ou melhor, o que faço nesta associação. Estranhamente mais ninguém aderiu a esta ideia.

O P.I.P.P.E.S.J. (E agora tiveste aquela sensação de cabelo na língua?), tem por missão proteger os pequenos profissionais que, durante o ano todo enfrentam o vento, o frio e a chuva. Não é bem o ano todo, felizmente não temos sempre mau tempo. Os gnomos de jardim deveriam ser mais valorizados. Sim, porque é deles que estou a falar desde início. Desde inicio também não, só comecei a falar da associação há pouco.

Como estava a dizer (escrever), os gnomos de jardim nunca abandonam os seus postos de trabalho e guardam-no durante qualquer adversidade climática. É por isso que deveriam ser feitos abrigos para protegê-los do mau tempo, umas casotas do género da Guarda Real Britânica. Para internacionalizar a coisa, poderíamos desenhar bandeiras nesses abrigos.


Agora não me digam que eles não precisam de ser protegidos e que não saem dos locais de trabalho porque não podem andar, visto que são objectos inanimados. Acreditam mesmo nisso? Até parece que nunca viram o Gnomeo e Julieta!


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O.G.C.S. (Organização para Garantir a Continuidade dos Sonhos)

Estás farto de acordar, quando deverias ter ficado no teu 15º sono? Estás farto de ser forçado a sair do Vale dos Lençóis devido àquele bip infernal e deixar aquele sonho maravilhoso que estavas a ter? Se como eu achas que os sonhos nunca deveriam ser interrompidos, então a O.G.C.S. é o sítio certo para ti.

Esta associação é recente, acabei de cria-la há 15 minutos, e esta ideia genial, surgiu depois uma noite que estava a ser perfeita, mas acabou mal. Acordaram-me! Ontem estava a ter um sonho do carraças, se bem por momentos estranhos. Houve numa altura do sonho, em que fui comprar lâmpadas, não sei porquê visto que estava na praia. O estranho foi quando cheguei à caixa e fui atendido pelo Darth Vader, mas vestido de branco. Toda gente sabe que Darth Vader veste de preto!

Voltando ao sonho do carraças, estava com uma gaja divinal (Estão a ver aquela gaja muito boa, esta era ainda melhor!) Literalmente a mulher dos meus sonhos, e rolava aquele clima indicadora que há coisa ia dar-se. Quando o maldito do despertador toca. Fiquei tão fulo que era capaz de lhe partir a tromba se tivesse uma.

Pior ainda, não é a primeira vez que isto me acontece, aliás está sempre a acontecer-me. De tal forma que nos sonhos ainda sou virgem. Não existem dúvidas relativamente a isso. E quando não é o sacana do despertador que toca (porque o desliguei antecipando uma noite que poderá ser de arromba), é a minha mãe a acordar-me. Fico revoltado!

Isso nunca acontece no meio de um pesadelo. Podes estar a ser perseguido pelo um monstro de duas cabeças, muito parecido com o Sócrates, e com uma capa onde está estampado FMI, (Assustador!? Pudera, é um pesadelo!) mas nada de mãe ou despertador.

Para garantir que isto não volta a acontecer, e proteger não só os meus sonhos, mas também os dos meus associados, a O.G.C.S. vai implementar o conceito de “agente do sono”. Estes agentes ficariam a vigiar-nos durante a noite, enquanto dormimos e através do reconhecimento facial intuitivo (as caretas). Todos nós as temos durante a noite, e impediriam assim o nosso acordar (se o sonho fosse agradável), pontapeando os despertadores ou esmurrando as nossas mães, mas silenciosamente.

Brilhante!? Quem é que não ficou com vontade de juntar-se a O.G.C.S.!?

sábado, 24 de agosto de 2013

P.I.S.S.A. (Pessoas Incapazes de Sobreviver Sem Álcool)

Há dias, li uma notícia que me deixou bastante transtornado. Fiquei tão abalado que tive de ir beber uns copos para me animar. Nesse dia soube que os participantes nas reuniões dos A.A. (Alcoólicos Anónimos) são cada vez mais. Cobardes! Já o meu avô dizia: “O vinho é o maior inimigo do Homem! Mas virar costas ao inimigo é cobardia…”

Para lutar contra tanta cobardia decidi criar a minha própria associação, o grupo de Pessoas Incapazes de Sobreviver Sem Álcool (P.I.S.S.A). Há quem diga que o álcool pode ser prejudicial na vida familiar, mas na P.I.S.S.A não concordamos. Estar constantemente alcoolizado melhorou a minha relação incontestavelmente. Antigamente quando chegava a casa tarde mas sóbrio, a minha namorada fartava-se de me ralhar. Agora, sempre que chego, tenho sempre uma palavra atenciosa para ela: “Estás tão bonita hoje! Ou será por estares mais desfocada do que o costume!?”. Afinal teve a noite toda a minha espera. Melhor ainda, é que enquanto esperou por mim, esteve a fazer a limpeza. Quando chego está sempre com a vassoura na mão. Por vezes, a irmã gémea, cuja existência desconhecia, vem ajuda-la. Melhor! Assim não fica sozinha a minha espera. Naqueles dias em que parece que me vai chatear, e apesar da sua aparente má disposição tenho sempre uma palavra amiga: “Já que acabastes a limpeza, porque não vais voar!?”. Ela gosta de passear e fica sempre bem-disposta depois de um passeio.

Na nossa associação, não fazemos discriminação. Todos são aceites, homens, mulheres, até mesmo que esteja sóbrio. Só não aceitamos pessoas com a doença de Parkinson, achamos que é criminoso estar sempre a entornar o precioso líquido. É frequente dizerem que os membros da P.I.S.S.A são egocêntricos, e confesso que é a principal razão de nós bebermos. Gostamos quando o mundo gira ao nosso redor.

Podemos ser uma cambada de bêbados, mas somos pessoas responsáveis. Eu, como muitos, sou apologista que não devemos beber enquanto conduzimos. Até tenho um slogan para evitar desgraças: “Se conduzir não beba! Pare o carro e depois pegue no copo!” Já viu o que era entornar tudo!? Estragar é que não!

Para além de sermos responsáveis, também somos criativos. As bebedeiras têm dessas coisas, dão nas muitas ideias. E assim resolvemos o eterno problema do último copo. Aquele que tem o condão de estragar uma noite. Para evitar aqueles momentos de estragação, em que aquilo que bebemos foi irremediavelmente expelido da boca para fora depois deste mesmo, e como nunca sabemos quando é o ultimo copo, criamos o copo único.

Há quem diga que o álcool é uma coisa má, que tem mais malefícios que benefícios. Mas a verdade é que tem um poder como poucos têm. Consegue embelezar qualquer anormalidade e também torna a pessoa mais anti-social do mundo, na pessoa mais sociável a face da terra. Ficamos tão sociáveis que até falamos com objectos inanimados, como o carro (“Oh Peugeot! Onde que estás!?”) ou com a fechadura (“Eh pá! Hoje tas eléctrica! Não pares de te mexer! Tá quieta!”).

Junta-te a nós e ajuda a P.I.S.S.A a crescer

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

M.P.P.S.N. (Movimento para a Promoção das Palmas a Símbolo Nacional)

Há dias, um amigo meu perguntava-me se já tinha reparado que os portugueses batem palmas por tudo e por nada. Por exemplo, batem palmas sempre que o seu avião aterra. Realmente, a aterragem é algo tão inesperado. Sinceramente nunca me tinha apercebido, mas se calhar é por não andar muito de avião. Eu prefiro andar de carro. No máximo, e se a viagem for longa vou de expresso.

Apesar de saber, há quem mo lembra constantemente, que andar de avião é estaticamente o meio de transporte mais seguro, eu sinto-me em segurança dentro do expresso. Nunca se ouviu falar em expressos, desviados por radicais maluquinhos, embaterem contra um símbolo de descontentamento e revolta, as portagens.

É importante perceber a razão de tanta satisfação. Porquê as palmas? Será que sempre que descolam, pensam que estão a ser pilotados pelo um maçarico incompetente e o mais provável é não chegarem ao destino? Ou será porque pensavam que iam ser desviados por uns radicais de esquina e atirados contra o par de edifícios mais alto das redondezas? Ou talvez seja apenas por serem tão criancinhas, estão constantemente a perguntar “Chegamos?” e quando chegam (de facto) festejam (com palmas) que nem uns doidinhos, como se de um brinde se tratasse?

Já que os portugueses são gostam assim tanto de palmas, porque não criar uma associação cujo intuito seria bater palmas por tudo e por nada. E porque não juntar o útil ao agradável, fazendo das palmas um símbolo do alegre povo lusitano, nascendo assim a associação, Movimento para a Promoção das Palmas a Símbolo Nacional, ou M.P.P.S.N.

Com o M.P.P.S.N., mesmo em cenário de crise, a vida seria muito mais animada e talvez as coisas começassem a correr melhor. Imagina como seria ouvir palmas sempre que faço algo bem feito, ou mesmo quando correm menos bem. Um pouco de incentivo nunca fez mal a ninguém.
 
Puxou o autoclismo. Palmas!
Tentou acertar no caixote do lixo, mas o papel caiu no chão. Palmas!
Hoje, para variar, tomou banho. Palmas!
Sempre que o autocarro, comboio ou metro chega a paragem. Palmas!
Vê uma boazona a fazer topless na praia. Palmas!
Vê uma gorda e feia que estava a fazer topless na praia, vestir-se. Palmas!
Ouve a notícia que os impostos não vão subir. Palmas!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

C.A. (Calões Anónimos)

Desde os primórdios dos tempos existem calões. Posso até afirmar que são figuras mitológicas, afinal os deus olímpicos eram não mais do que calões. Passavam a vida a descansar, a beber néctar e por vezes espalhavam magia com as mortais. Até na idade média havia calões, ou pensam que a Nobreza se cansava muito. Pronto por vezes tinham de se cansar um pouco mais devido a uma guerrita ou outra que aparecia. Mas o que outrora era sinónimo de grandeza, como os deuses ou reis, é hoje em dia não é bem assim. A verdade é que nos dias que correm, os calões são mal vistos, e por isso tem de se manter no anonimato. Daí a criação dos C.A., por outras palavras, os Calões Anónimos.


Desenganam-se quem pensa que somos poucos. A cada dia que passa, o número de associados aumenta. De tal forma que posso afirmar que um dia dominaremos o Mundo. Sim dominaremos. É verdade. Admito. Sou um calão e com muito gosto. Quando há pouco falava dum domínio mundial, não estava a brincar, ou será que alguma vez pensaram que os políticos eram trabalhadores?! É obvio que são calões. Isso explica o facto, entre outros, de adormecerem na Assembleia. Acreditem que não é por cansaço.

Ser calão não é fácil e nem todos conseguem sê-lo na sua plenitude. Como referi há pouco, fiz do que alguns apelidam de defeito, um verdadeiro modo de estar perante a vida. Ou seja, não me mexo muito, para não me cansar e vejo-a passar felizmente. Eu nunca arrumo o quarto, espero que alguém o faça por mim. Afinal se partilho o quarto com o meu irmão é por alguma coisa. Também não faço a cama. Para quê? Eu vou dormir lá na noite seguinte! A não ser que a..., me convide finalmente para dormir (ou não) em casa dela. Nunca lavei o meu carro. Acredito piamente que um dia choverá e o meu carro lavado ficará. Quando varro, ou passo o aspirador, já de si uma raridade, faço o sentado para não me cansar. Se alguma coisa tiver caído no chão nunca a apanho, alguém há de fazê lo por mim. Antigamente tinha ténis com velcro para não ter de atar os atacadores. Não uso disso, mas quando tenho os atacadores desatados, dobro o joelho e levanto o pé para não ter de me baixar. Estes são apenas alguns aspectos da minha caloíce. Se tivesses de contar tudo passaria aqui horas, mas não estou para me cansar muito.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

P.A (Paranóicos Anónimos)


Hoje fui a minha primeira reunião dos P.A., os Paranóicos Anónimos, mas não sei se volto lá. Senti-me muito observado. Eu sei que estávamos sentados em roda, mas não tinham de olhar todos para mim. Ou tinham? E quando não olhavam directamente para mim, viravam os olhos para o chão só para verem os meus pés. Cambada de maluquinhos! O que achei estranho, é perguntaram-me o nome, não era suposto sermos anónimos? Ainda por cima quando estava a limpar os óculos, alguém me perguntou: “Tens os óculos sujos?”. Eu percebi logo que estava a acontecer. Eles estavam ali para me sacarem informações. Às tantas são amigos do gajo que me assaltou a casa. Alias, foram esses assaltos que me levaram a inscrever-me nesta associação. Eu nem sou paranóico mas o meu psiquiatra obrigou-me, vá-se lá saber porquê. Isso tudo porque lhe contei que me andavam a perseguir a meses. Eis o que aconteceu:

Tudo começou a meses quando num dia ao acordar sinto uma dor no colhão esquerdo, sempre sinal de mau presságio que se verificou minutos depois quando a dor se estendeu ao colhão direito. Como estava atrasado, decido de comer um iogurte para ser mais rápido, vou ao frigorifico buscá-lo mas a maionese estava a frente. Agarro no frasco e pumba, ele cai. Como é obvio sujei me todo e tive de ir mudar de roupa. Se estava atrasado mais atrasado fiquei. Quando me dirijo ao carro vejo que tem um pneu furado, mas como não tinha tempo para mudar a roda, decido pôr-me a caminho do trabalho usando mais antigo meio de locomoção de sempre, os pés. Então não é que começa a chover. Há quem diria que estava com pouca sorte, mas eu percebi logo o que estava a acontecer. Eu estava a ser vítima de uma cabala cósmica e pressenti que algo de mau ia acontecer.

A verdade é que tinha razão. Quando cheguei a casa, percebi logo o que acontecera. Tinha sido assaltado. Mas cuidado, não foi um trabalhinho feito por amadores, pois não encontrei a casa virada do avesso e a fechadura nem um risquinho tinha. Em suma, um verdadeiro trabalho de artistas. Se à primeira vista, não me tinha levado nada, a verdade é que quando fui tirar a roupa da máquina de lavar, percebi que algo tinha desaparecido. Faltava-me uma meia. Para mim, O roubo da meia tinha uma mensagem clara, o ladrão estava a dizer-me: “Desta vez foi a meia, mas para a próxima pode ser muito pior!” isso é que não, não te deixarei roubar a minha colecção da Playboy. Aquele ladrão estava a desafiar-me e eu não tencionava perder o confronto.

Foi por isso que instalei um super fechadura com uma chave muito manhosa. Um dia, depois de regressar do trabalho, reparei que um pão não tinha miolo. Tinha sido o sacana do larápio que o tinha roubado. Mas para que? Percebi depois que com o miolo do pão, ele tinha feito uma cópia da chave. Mas como é que ele tinha entrado em casa? Só com um cúmplice. Mas quem? Só podia ter sido… o gato. Pouco expulsei-o.

Ninguém acreditava em mim, ou na suposta existência do bandido. Chegou mesmo uma altura em que desconfiava de todos. Para mim, todos eram cúmplices. Foi então que elaborei um super plano. Fui ao banco buscar todas as minhas poupanças e deixei-as em cima da minha cama e obviamente tive o cuidado de deixar a porta de casa aberta, assim era mais fácil apanhá-lo em flagrante de delito. Na rua gritei em alto e bom som, que onde estava o dinheiro. Horas depois, tinha sido outra vez assaltado, mas tinha saído vitorioso do combate. Finalmente podia comprovar a sua existência. Como? É simples, o estúpido tinha deixado cair o fruto do seu primeiro roubo, a meia, por baixo da máquina de lavar. Eu sou assim, ninguém me vence, e digo-vos mais: eu não sou paranóico.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

L.P.G. (Liga para Protecção dos Gambuzinos)


Os gambuzinos são uma espécie em vias de extinção e devido às constantes caçadas que são alvo, surgiu a necessidade de criar uma associação para a sua protecção, a L.P.G. (Liga para Protecção dos Gambuzinos).

É uma sorte os gambusinos, que também são chamados de gramulizos, começarem pela letra “G”, porque doutra forma, chamando-se por exemplo de “pambuzinos” ou “bramuzilos”, a L.P.G. (Liga para Protecção dos Gambuzinos) não teria competência para protegê-los.

Há quem afirma que os gambuzinos são seres imaginários inventados por um espertinho que queria para o fanesga com uma moça da aldeia. Numa noite, convidou-a para o mato, numa de ir caçar gambozinos. Reza a historia que nessa noite o rapaz caçou e comeu a presa, mas de gambuzino não tinha nada.

Eles são vistos frequentemente em noites de jantaradas, alturas em que, e desconheço o motivo, são ingeridas quantidades massivas de líquidos que alteram substancialmente a taxa de alcoolemia. Também são vistos em noites de nevoeiro, nomeadamente quando é oriunda de substâncias com efeitos alucinogénos.
Nessas noites, é recorrente fazermos uma caçada. Ainda me lembro da minha primeira caçada, eu estava entusiasmadíssimo. Confesso que treinei a fio para a ocasião. Até comprei um taco de basebol! Mas não correu tão bem como planeado. apesar da minha caçada não ter sido infrutífera, partir as duas rótulas de um passante, que pensava ser um gramuzilo, não estava nos meus planos. A minha sorte foi que ele não pôde correr atrás de mim para me bater.
No fim dessa noite, percebi que a caça ao gambuzinos é um desporto perigoso. Neste sentido, achei por bem juntar-me a L.P.G., e assim fazer com que menos rótulas sejam destruídas. E como geralmente, sou apoiante das causas nobres (quando houve aquela petição para descodificar o canal 18, fui dos primeiros a assinar) foi só juntar o útil ao agradável.